Seu hobby, seu negócio
Ter uma segunda fonte de renda pode ser um bom negócio -- especialmente se você optar por trabalhar com seu hobby. Neste caso, o sucesso é garantido!

Trabalho com comunicação há 20 anos, mas sempre fui encantado por culinária. Decidi abrir um bistrot, o La Marie, onde preparo e elaboro os pratos pessoalmente para meus clientes. Vou para lá todas as noites, o que para mim é uma terapia. E a vantagem é que ainda ganho um dinheiro extra
EDSON DI FONZO, JORNALISTA E CHEFE DE COZINHA
Há trinta anos era comum um jovem imaginar-se iniciando a carreira em uma empresa e passar toda a sua vida nela. Todos buscavam a segurança profissional. As coisas eram mais tranqüilas. Uma pessoa começava por volta dos 25 anos, logo depois de concluir a faculdade, seguia conquistando cargos na mesma corporação e esperava a época de se aposentar com segurança. Era a famosa estabilidade, palavra que parece estar em desuso, pois com a globalização isso mudou. Hoje, a maioria das organizações não tem interesse em manter o mesmo funcionário por muitos anos. Passou a ser prática comum em qualquer área, a mudança de emprego. Num período de aproximadamente dez anos atuando no mercado, as pessoas percorrem, em média, três ou quatro empresas.
Com esse fenômeno há vantagens, já que o profissional tem a oportunidade de adquirir conhecimentos e experiências, que poderão ajudar em futuras funções. No entanto, tantas mudanças podem gerar insegurança, já que o medo de perder o emprego bate à porta o tempo inteiro. Soma-se a esse contexto as turbulências econômicas e políticas pelas quais o Brasil tem passado.
Num cenário de instabilidade como este é esperado que os profissionais pensem em um plano B. Ter uma outra profissão ou até mesmo montar o próprio negócio virou uma maneira de se prevenir dos imprevistos do mundo capitalista. E para quem pensa de forma precavida, os consultores de carreira são enfáticos: faça algo que realmente goste, pois esta será a chave do seu sucesso profissional.
Já que é assim, que tal transformar seu hobby em uma lucrativa fonte de renda? Pois bem, isso é possível e muito mais comum do que você pensa. “Ao optar por fazer aquilo que gosta, a pessoa desperta em si uma energia poderosa e que a move na busca diária por resultados. Ela acaba se envolvendo plenamente com o trabalho, não se importando em trabalhar muito mais”, diz Luis Paulo Luppa, palestrante e diretor-presidente da Landscape Editora.
Quando uma pessoa decide entrar em um empreendimento, ela é impulsionada por uma enorme vontade de que tudo dê certo. Dessa forma, quanto mais trabalha, maior é seu retorno financeiro e sua satisfação pessoal.
Apaixone-se pelo seu trabalho
Quando Nicolau Rosa contou aos seus amigos economistas que iria deixar o cargo na bolsa de valores para investir em restaurantes, o espanto foi geral. Formado em economia, trabalhou com ações na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) até o dia em que resolveu largar tudo para entrar no mundo gastronômico.
Ingressou no ramo de franquias de restaurante, mas logo percebeu que não era o caminho para fazer o que mais gostava: cozinhar. Foi aí que montou uma escola de gastronomia. Hoje, longe dos pregões, Nicolau divide o dia entre as panelas e a sala de aula, ensinando a arte de cozinhar na sua Escola de Culinária e Gastronomia Nicolau Rosa.
O melhor de toda essa história é que não se arrepende nem um pouco de ter feito a escolha. “Tenho mais empenho para trabalhar e vivo cheio de planos para ampliar meu negócio”, conta o ex-economista. O resultado é positivo tanto para o bolso quanto para sua vida pessoal, garante Nicolau.
Outro exemplo de final feliz é do jornalista Edson Di Fionzo. Ele trabalha com comunicação há 20 anos, mas revela que sempre foi encantado por culinária. “Decidi abrir um bistrot, o La Marie, onde elaboro e preparo os pratos pessoalmente para meus clientes. Vou para lá todas as noites, o que é uma terapia. E a vantagem é que ainda ganho um dinheiro extra”, diz o chefe de cozinha.
Nesses casos, o sucesso profissional é praticamente inevitável. “Fazer o que se gosta motiva a busca por novos conhecimentos. A pessoa realizada profissionalmente se entrega ao trabalho, produz mais. Contudo, alguns só conseguem atingir esse nível de envolvimento e satisfação quando mudam de área”, explica Paulo Luppa.
Ele mesmo que o diga! Formado em direito, bastou algumas semanas no ambiente jurídico para descobrir que aquilo não tinha nada a ver com sua personalidade. Conclusão: mudou radicalmente de área. Cursou uma pósgraduação em marketing e arrumou emprego como vendedor viajante. Esteve em cargos de comando em organizações nacionais e internacionais e, atualmente, além de executivo, trabalha como palestrante.
Tire as pedras do caminho
É claro que como toda e qualquer mudança optar plano B tem seus riscos – e o maior deles é o negócio não dar certo. Por isso mesmo o profissional deve estar preparado para uma possível falha. Mas dá para evitar, ou pelos menos tentar, que as coisas não saiam erradas.
A primeira atitude a tomar é buscar o maior número de informações sobre o produto ou serviço que se pretende lançar. Fazer uma pesquisa de mercado e perceber as necessidades dos consumidores e avaliar onde abrir o ponto e se o local é estratégico. Ter uma poupança para cobrir gastos não esperados e estudar a melhor forma de publicidade são outros fatores a serem levados em conta.
Quem soube fazer isso direitinho foi a empresária Tainá Guedes. Fã de moda, ela sempre costurou. Um dia, inspirada, resolveu transformar seu passatempo em um lucrativo negócio. Casada com o dono do restaurante japonês Nakombi, de São Paulo, que ela também administra, Tainá aproveitou o dia dos namorados, data que a casa fica cheia, para distribuir graciosas calcinhas paras as clientes. O sucesso foi tamanho que em pouco tempo ela já havia montado uma confecção de lingerie. “Fui criando mais modelos e o negócio expandiu. Faz cinco anos que comecei com a brincadeira e agora já tenho duas lojas”, diz a empresária.
O talento de estilista somado ao seu faro para os negócios rendeu ótimos frutos. Só para se ter noção, suas peças já foram exportadas para a Alemanha e Estados Unidos. Até mulheres famosas, como a top model Gisele Bündchen, aderiram à sua marca.
Mas para que o empreendimento não afunde é preciso ficar atento a todos os detalhes. É imprescindível acompanhar de perto, ter visão de futuro e capacidade para enxergar além dos fatos. “A falta de planejamento e o excesso de ansiedade atrapalham. É importante ter cuidado com a contratação de pessoas. Para evitar erros, elas devem ser bem qualificadas e organizadas, além de terem muito empenho”, alerta o consultor Paulo Luppa.
De olho nos empecilhos
A matéria deixou você com vontade de investir em um plano B? Então, boa sorte! Mas lembre-se de que cautela nunca é demais. Antes de pedir as contas e se lançar em um novo empreendimento, mantenha a calma. Nada de largar seu emprego atual no começo dos negócios. O melhor a fazer é tentar tocar as duas coisas paralelamente e só mudar de rumo quando sentir que o trabalho vai render. Afinal, você não quer correr o risco de ficar desempregado e sem dinheiro, certo? Portanto, planejar é preciso.
Foi o que fez o engenheiro e empresário Marcos Luís Galati, que atuou por muitos anos em empresas nacionais e multinacionais. Porém, em 1992, decidiu deixar a vida de executivo de lado e investiu em sua coleção de carros antigos. “Percebi que o mercado tinha uma grande demanda, então aproveitei o momento e abri uma locadora especializada nesse tipo de automóvel. O negócio deu tão certo que estou no ramo até hoje”, revela com orgulho.
Já que é assim, siga o caminho dos vitoriosos. Pense e repense em todas as ações, calcule os possíveis gastos e mantenha uma reserva para as emergências. Converse com pessoas que foram vitoriosas ao montarem seu próprio negócio – você vai aprender muito com a história delas. Esteja aberto às mudanças. Às vezes, acreditamos que o rumo é um, enquanto os sinais à nossa volta dizem que é outro. E o mais importante de tudo: tenha foco. Saber onde quer chegar e planejar a trajetória até lá é fundamental para quem quer trilhar o caminho do sucesso empresarial.
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